quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sobre cigarros, introspecção e o ano novo

O quarto fede a cigarro. Da fumaça que parcialmente cega e das bitucas que transbordam do cinzeiro, na solitude que proporciona a reflexão e o silêncio.

O janeiro é de chuva torrencial, de ressaca das festas, do ritmo lento das férias. Mas é também janeiro de mudanças – ou de planos e projetos que devem seguir. De anseios e desejos, acrescidos do recolhimento necessário para se colocar a vida no lugar.

O quarto, as gavetas e os papeis já se encontram em ordem. Os medos e receios estão em processo de abandono. Os erros já processados e as desculpas devidamente prestadas – mesmo que não aceitas. O que não serve já fora descartado – há pouco em processo de reciclagem.

Falta alinhar a cabeça. Refinar os pensamentos. Estimular as ideias. (Ainda há, portanto, muito o que fazer.)

Talvez por querer demais, a certeza disso tudo vem em menor proporção. Talvez pelo entra e sai constante, do vai e vem contínuo. Das indecisões, das incertezas. Do esperar. Do iludir. Do divagar. (Verbos tão presentes que, de tão intensos, já não provocam reações adversas à dor.)
Sim, há uma dor escondida. Sempre há uma dor dissimulada. Dor silenciosa, reservada e recatada; quase que inerte – se não fosse a própria dor que se sente.

Mas toda essa dor – que não é demasiada - serve de parâmetro pra mudança, facilitadora do que se deve fazer e ser para chegar ao futuro próximo. Galgado com a coragem do diferente, do recomeçar para depois transformar-se novamente... e, talvez, fazer com que se volte tudo como era antes.

1 chibatadas:

Ju disse...

Ahh chica gosto tanto das coisas que vc escreve!
já te falei que vc deveria screver um livro?
sérião!ehehehe

saudade grande!

beijus